Janeiro 24, 2011
Inconveniências
O despertador tocou, insistentemente, duas vezes. Mas quando realmente conseguiu acordar, viu que já estava em cima da hora.
Mas, qual a novidade? Isso acontecia há mais de uma semana. Algumas mudanças ocorreram na vida de Lily, as quais ainda não havia se acostumado.
Sentou na cama, olhou para a janela e, pela fresta pela qual saía uma pequena faixa de luz, podia ver que o dia já estava claro. Desceu as escadas ainda de camisola. Colocou a água na cafeteira e debruçou-se na bancada para esperar. E assim, uma vontade incontrolável de chorar tomou conta do seu corpo.
Na noite passada as coisas pareciam ter saído dos eixos. O que era muito bom, agora se tornara apenas bom. Toda aquela admiração, passou a ser apenas um jeito comum de olhar alguém. A vontade de estar junto agora era apenas o de mais uma companhia.
Ela já estava cansada de ser sozinha. Era sempre cozinhar para si mesma, planejar uma viagem fantástica sem companhia, beber um vinho e não receber elogios, não poder se confortar em um abraço aconchegante, cheio de segurança e sentimento.
Lily tinha quase certeza de que dessa vez havia achado essas particularidades em alguém, mas, como sempre, desconfiava que seus sentimentos lhe traíam mais uma vez.
As lágrimas insistam em rolar pelo seu rosto, sem hora para acabar.
Depois de escutar que precisava fazer suas escolhas porque, se houvesse sofrimento seria apenas da sua parte e não da dele, todo o encanto pareceu adormecer dentro daquele coração remendado, que estava ali mais uma vez, mas que a cada tentativa se fechava um pouco mais. E isso doía. Doía porque a crença que ela persistia em ter nas pessoas estava acabando. E acabando também com ela mesma.
O cheiro do café já tomava conta da casa.
Enxugou as lágrimas, fechou os olhos por alguns instantes e respirou fundo.
“Engole esse choro, você não precisa disso” – falava pra si mesma. E assim deixou a cozinha, as lembranças, o choro e todo aquele desespero para quando o sol chegasse, e fizesse iluminar um novo dia. E quando a noite fosse se aproximando, aquilo fosse apagado com o escuro, assim como se fecha lentamente uma caixa de jóias. Só que aquelas jóias, na verdade, acabariam se tornando simples bijuterias.
Tiago disse,
Janeiro 25, 2011 às 8:51 pm
Penso que Lily não deveria enxugar as lágrimas,mas deixarem escorrer pois uma lágrima escorrida nunca volta e vai se embora,com todo seu sal,com todo sua amargura e tristeza.
Inconveniencias Lily terá por toda a sua vida,isso é fato pra todos nós.
Agora o medo que toma contadela,quando se toma uma taça de vinho ou se cozinha pra si própria e não se tem ninguém pra elogiar é um medo bobo,ela não deve sentir isso,melhor tomar um bom vinho e saborear um bom prato sozinha,e se olhar no espelho e dizer eu posso,eu sou Lily,do que mergulhar no obscuro mundo de realidades que o mundo nos impõe.
Lily deve acreditar sempre na fantasia,e não no que os outros querem ou pensam,isso fará dela uma pessoa que se cobrará menos!
Sally disse,
Janeiro 26, 2011 às 1:00 pm
Lily já perdeu mto desse medo, e aprendeu com as pessoas que cada um é de um jeito.
O que deve-se fazer é respeitar. E ser feliz :)
Tiago disse,
Janeiro 27, 2011 às 12:03 am
Sorry, I always willing to help and talking silly!
Just like a lot of Lily and wanted to see it well!
Pardon the inconvenience!
Sally disse,
Janeiro 27, 2011 às 11:13 am
No need to say sorry ;)